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O Triângulo das Cuecas

Friday, September 28, 2007

Bola, putas e vinho verde...

Bem, de volta ao mundo dos blogues após uma ausência nada cortês, deparo-me com um assunto que me obrigou a fazer o gosto ao dedo...
Num país que está enterrado até ao maior cabelo que tem na cabeça em problemas vários, que vão desde o défice ao aumento dos impostos e à retirada de regalias aos deficientes por parte do estado, tudo em prol da boa gestão de fundos, o panorama apresentado pelos vários serviços noticiosos nacionais é de levar qualquer ser com metade de um amendoim a fazer de cérebro às lágrimas.
As notícias que deveriam ser apresentadas, mostrando aos portugueses os problemas vários e mostrando as iniciativas que estão sendo tomadas pelos orgãos de gestão do país para os resolver, têm um destaque mínimo na comunicação social, já para não falar que cada vez são mais desanimadoras e menos objectivas, dando a ideia ora que estamos todos muito mal, ora que vai tudo muito bem, mas não dando nenhuma notícia ou informação em concreto.
Quando se pretende comentar e avaliar a crise no único partido de oposição significativo do país, o único que neste momento se encontra em posição de fazer frente ao governo vigente, corta-se a palavra ao comentador porque é necessário ver as costas de um treinador de futebol a entrar num carro.
No entanto, fala-se de uma miúda inglesa que desapareceu há mais de quatro meses, sobre a qual não há nem notícias nem certezas, pelo menos uma vez em cada serviço noticioso em blocos de no mínimo 5 minutos, recheados de factos que já foram deturpados de toda a maneira e feitio e de conjecturas que têm tanto de verdade como a teoria medieval segundo a qual a terra era um prato.
Dá-se uma importância enorme às orgias de um jogador de futebol, só faltando descrever com a ajuda de gráficos os actos levados a cabo durante a noite de rambóia da criatura.
Mostra-se as costas de um treinador de futebol que só de pisar chão luso merece um destaque em directo num canal noticioso.
Confirma-se a teoria que Portugal é um país onde imperam a bola, as putas e o vinho verde...

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Friday, June 15, 2007

Haja Paciência!

É só para informar que devido a acontecimentos que se tÊm vindo a arrastar ao longo do tempo perdi por completo a paciência para blogs.
Quando esta voltar farei questão de continuar a escrever por aqui.
Por enquanto, está definitivamente encerrado

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Thursday, February 08, 2007

Abortos, taras, manias e outras bizarrias

Com toda a polémica que tem havido acerca do tema Aborto, seria no mínimo estranho que o Triângulo não se pronunciasse.
Ora por aqui vota-se NIM.
Passo a explicar.
Nenhum dos argumentos de qualquer dos lados me convenceu, já que o Não defende a existência de duas vidas que devem ser protegidas (é verdade), mas não mostra qualquer tipo de planos de actividades que venham a proteger essas mesmas duas vidas, limita-se a dizer que não.
O Sim diz que sim, que o julgamento de mulheres por abortos é vergonhoso (e é), e que a mulher deve decidir o que fazer com o próprio corpo.
Ora, vamos cá a ver uma coisa: a partir do momento em que existe outro ser vivo (e isso até um embrião é, é inquestionável), a mulher não está só a decidir o que fazer com o próprio corpo, está a decidir o que fazer com a sua vida e outra que não tem como se defender. No entando, há várias situações em que seria manifestamente melhor que uma criança não viesse ao mundo.
O problema que aqui está é que ambas as posições são legítimas, mas ambas foram magistralmente mal defendidas.
Verdade seja dita, esta despenalização irá levar a uma liberalização, já que não é crime e poderá ser feito em qualquer lado. No entanto, as mulheres não são seres tão descerebrados como o Não apresenta, que irão fazer do aborto o novo método contraceptivo da moda.
O que a mim me quer parecer é que o nosso Governo, longe de querer investir em assuntos tão "fúteis" como são um serviço social decente, a criação de alternativas para jovens mães em dificuldades, educação sexual nas escolas, a diminuição do preço dos contraceptivos e um sistema de adopção mais simples, prefere entupir o serviço de saúde (já de si pouco congestionado, não haja dúvida!) com esta operação que lhes permitirá continuar a meter dinheiro ao bolso e a construir estádios.
Sou a favor da despenalização, mas também da criação de infraestruturas que permitam à mulher uma opção verdadeiramente justa para ela e para a vida que carrega consigo, opções que funcionem e que realmente vão ao encontro das necessidades das mulheres. E isto é algo que eu não estou a ver acontecer.
Porque até agora a campanha para este referendo, que devia ser apartidária, se tem revelado partidarista, mostrando muitas vezes a tacanhez mental dos defensores de cada uma das opiniões, que fincam o pé a dizer que só eles estão certos e não ouvem quaisquer outros argumentos.
Tenho visto e tomado conhecimento de muitas maneiras bizarras de fazer campanha, tais como folhetos com imagens chocantes, ameaças de padres de que "quem votar sim não deve voltar à igreja porque está excomungado em consciencia", cartas colocadas na mala de crianças, manifestações por ambas as opiniões, spots publicitários mais ou menos carismáticos, e campanhas tão puramente absurdas como "os meus pais são do partido Y por isso votam NÃO" ou "o partido X vota SIM por uma boa causa". No entanto, racionalidade ainda não vi em lado nenhum.
Dia 11 eu vou votar. Apelo a todos para que votem, cada um de acordo com a sua consciência, mas tenho muita pena do circo em que algo que deveria ser sério se transformou.

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Thursday, January 04, 2007

Mais Farta Disto que Sopas!!!!

É assim, eu não costumo usar este espaço para disparatar acerca da minha vida, mas desta vez estou mesmo a precisar. Haja santa paciencia, mas enquanto a maioria dos comuns mortais tem, pelo menos nestes feriados que passaram de Natal e Ano Novo, tempo para estar com a família, os amigos e fazer o que bem lhe dá na telha (e vai daí não, porque ha compras e arrumações e cozinhados e etc que precisam ser feitos mas isso são outros quinhentos), eu não tive nem esse tempo. Devido a uma quantidade verdadeiramente absurda de trabalhos na faculdade não tive tempo nem para sair do pé do computador... só para comer, abrir prendinhas e estourar champanhe. Fora disso, que se faz em poucos minutos, quase não se dormiu por aqui, quase não se comeu e o giro disto tudo é que continuo com tantos trabalhos que estou à beira de um ataque de nervos! Eu até não me chateava se visse que tudo o que estou a fazer agora realmente me fosse ajudar na minha vida futura, seja lá ela qual for. Mas o melhor é que o despropósito destes trabalhos é tão flagrante que uma pessoa não tem nem ânimo para ganhar ânimo para os fazer!
Vamos lá a ter juizinho, que isto de andar a brincar com o descanso do futuro do país não se faz... Se saímos da faculdade já cansados, frustrados e desencantados com a forma como as coisas andam e com aquilo que fazemos, como é que podemos ter gosto em trabalhar? Querem mandar trabalhos que mandem, à tonelada se quiserem... Mas que tenham um maldito propósito!, que não seja só para os profs mostrarem "trabalho feito" quando nem aulas decentes dão...

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Wednesday, October 04, 2006

Incongruências, contradições, calinadas e afins...

Como estudante do curso de Ciências da Comunicação, não poderia deixar de me manter actualizada acerca do que se passa pelo mundo afora e neste "cantinho à beira mar plantado" em particular. O resultado disto é descobrir uma data de situações caricatas na nossa sociedade, atingindo-me como cidadã, como pessoa ou muito simplesmente como falante da língua portuguesa.
Começando pelas menos graves, falo de uma frase muito gira que apareceu em rodapé no Jornal da Noite da RTP "(...)uma centena de 100(...)".
Ora desde que eu me entendo por gente e que falo português, sempre me disseram que uma centena de algo é um conjunto de 100 elementos, sejam eles batatas, pessoas ou qualquer outra coisa que nos aflore à ideia. Mas com esta brilhante frase fiquei seriamente na duvida pois, para ser necessário dizer que era uma centena de 100, se calhar é porque uma centena originalmente não é de 100, mas de 50 ou 200, vamos lá agora nós saber. Quiçá seja até um qualquer número ao critério do que apetecer no momento: "Olha acabei de comer uma centena de 20 bombons e agora dói-me a barriga." Era giro. Boa maneira de espalhar a correcção da língua Lusa.
Deixando de lado os trocadilhos linguísticos, passo agora para os trocadilhos políticos, que esses sim são bem mais graves e bem menos fáceis de resolver.
Decretou-se que irá aumentar a contribuição dos utentes para a ADSE, permitindo esse aumento na "contribuição" que a ADSE arrecade a bonita soma de 103 milhões de euros, a juntar àquele que já era previsto receber.
Isto também é uma coisa muito gira, mas estando a ADSE atulhada em dívidas, eu duvido muito que, mesmo se esses milhões fossem realmente aplicados onde fazem falta, a quantia chegue sequer para resolver metade do problema. Mas o povo, com a sua proverbial boa vontade, lá vai sangrando os bolsos, que "é para o bem de todos, e se tem que ser lá se dá um jeitinho".
Mantendo-me no tema da saúde mas mudando o foco de atenção, indago-me acerca das politiquices referentes às "novas regras" das urgências hospitalares.
Segundo aquilo que a minha inteligência de pertencente à honrosa classe do Zé Povinho me permitiu entender, os senhores politicos, a bem dos cortes orçamentais, da fluidez dos serviços de urgência e dos utentes vão fechar 14 desses mesmos serviços país afora, deixando mais de um milhão de pessoas a mais de 45 minutos do serviço mais próximo. Em contra partida irão abrir mais 25 serviços, a grande maioria deles de urgência básica, ou seja com 2 médicos e dois enfermeiros de serviço 24h por dia e serviço de radiologia e análises básicas. Que mal pareça, alguns dos serviços que se desejam fechar, além de não estarem em mau estado, até são recentes ou então têm serviços especializados, já para não falar de equipamento de suporte caso haja falha de pelo menos um órgão vital, coisa que as tais ditas "urgências básicas" não têm nem virão a ter.
Agora eu ponho aqui algumas perguntas para quem quiser pensar comigo (e quem sabe até responder-me se souber):
-> Se ainda há dias se disse que vão acabar com as horas extraordinárias dos médicos, deixando estes de ter de fazer o horário nocturno, como é que essas urgências terão médicos 24h/dia? Vão pôr as pessoas a viver de noite?
->Se vamos ficar só com urgências básicas, se o problema de um utente for realmente grave e não for imediatamente detectável, como se pode garantir a correcção e a rapidez do diagnóstico visto só haver material básico?
->E mesmo que o problema da pessoa seja patente, se não há equipamento para a tratar (visto ser um serviço básico) de que serve a urgência? É uma pit stop só para dizer que tem que ser transferido para outra unidade (e perder mais tempo precioso)?
->Se as pessoas vão ficar mais longe dos serviços de urgência, muitos dos novos serviços ainda têm que ser projectados e os existentes ainda têm que passar por um processo de reestruturação, quem é que sai a ganhar com isso?
Só para finalizar este enorme post e mantendo-me nas politiquices mas passando para a economia, é talvez de notar que com tantas promessas de possível prosperidade (ou pelo menos de um ligeiro alargar de cinto) com o novo Orçamento de Estado, os aumentos dos funcionários públicos se fiquem por uns irrisórios 1,5%, muito aqém das expectativas e da própria inflação, significando mais uma facada no poder de compra dos portugueses. Gostaria de ver os aumentos que vão receber as pessoas que decidiram o valor destes "aumentos".

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Sunday, June 04, 2006

Falta de Putos...

A natalidade está em queda no nosso país, disso já todos nós sabíamos.
Agora eu pergunto-me é qual é o raio do espanto!
Afinal das contas, qualquer pessoa que saiba o preço de um pacote de fraldas perde logo a vontade de ter filhos! Com os preços de tudo, especialmente os bens de primeira necessidade, a fazer alpinismo algures pelos picos do monte Evereste, de estranhar seria que aumentasse o número de bocas que cada família tem para alimentar.
Entre creches, roupas, alimentação, medicamentos, manuais escolares (de péssima qualidade já agora), brinquedos e outros afins, para se pôr um filho no mundo neste país só com um poço de petróleo à nossa conta! (E vai daí é melhor não, senão ainda o Senhor Bush pode achar que temos armas escondidas nas fraldas da criança e começa mais uma guerra...)

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Vida de Professor...


Para as pobre almas conhecedoras da situação desse país à beira mar plantado não será talvez necessário explicar este post, mas para todos os outros que vivem obcecados com os muitos nadas que nos entram pelos olhos adentro diariamente como sendo as coisas mais importantes do mundo (tal como o Mundial de futebol por exemplo...) aqui vai uma pequena explicação.
Já todos nós sabemos que em Portugal não vale a pena ter profissão nenhuma se não fôr político ou jogador de futebol, mas de todas as profissões que não queremos ter a que devemos querer ver mais longe é a de professor, especialmente a de professor do ensino primário.
Este post deve a sua existência às belas medidas que o Ministério da Educação tem na forja para estes pobres infelizes.
Como se já não bastasse terem que aturar autênticos delinquentes em fase de treino, pais com a gentileza de um hooligan quando o seu clube perde, e tudo isto sem poder abrir o bico para falar com uma voz mais alterada seja com quem for porque podem ferir susceptibilidades ou traumatizar os meninos, ainda vão passar à qualidade de mão de obra praticamente escrava. Sem direitos e com um prato de comida ao fim do dia caso se tenham portado bem.
Para os mais chocados, eu passo a explicar.
Os professores já antes, desde todo o início do sistema, que tiveram que correr as várias provincias deste país dando aulas por aqui e por além sem poiso certo até estarem vinculados aos quadros do estado. Só a partir desse momento é que se tornavam professores titulares e tinham garantido o seu direito a uma turma todos os anos e por conseguinte a certeza de um salário.
Agora a Sra Ministra, além de querer pôr os pais a avaliar estas pobres almas, tirando-lhes assim toda a réstia de autoridade que um dia poderiam ter, quer fazer as seguintes alterações:
1- Os professores só vão poder concorrer ao cargo de professores titulares ao fim de 18 (sim leram bém) anos de serviço e se a avaliação deles feita coresponder a Bom ou superior, sendo que durante o restante tempo têm que andar a "tapar buracos" pelas escolas deste país, fazendo aqui um mês, ali outo, até terem os 18 anos, algo que pode levar bem mais que 18 anos a acontecer.
2- Professores com avaliação menor que Bom e que não sejam titulares voltam a estar em provação.
3- Entre outras mudanças (pk o diabo do artigo era enorme e estava cheio de palha para enganar quem o leia e não tive pachorra para ler +)
Ora os salários já são baixos, trazem trabalho para casa aos montes, aturam o que nem o diabo quer, tiram do próprio bolso para que os alunos tenham materiais para fazer os trabalhinhos bonitos que os paizinhos tanto querem, são agredidos fisica e psicologicamente... E venham cá falar em vida de cão...

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Wednesday, March 01, 2006

Ainda Maomé...


Quando ouvi nos vários telejornais e canais informativos que a comunidade muçulmana estava revoltada, queimando bandeiras, invadindo embaixadas e correndo a polícia de choque à força de pedrada e cocktails molotov, fiquei muito intrigada. Afinal, o que seria que o mundo ocidental fez a tão pacífico (!!!) povo para que de repente estes desatassem a ter actos tão destrutivos? Certamente será algo de importância e que merece a indignação de todos nós, comuns mortais.
Qual não é o meu espanto ao descobrir que tudo aquilo se devia a uns simples cartoons acerca do Sacratíssimo Profeta Maomé (que, para quem não sabe, não pode ser representado em pinturas porque isso é pecado).
Mais estupefacta fiquei ainda quando tais insignes personagens pediram que esses cartoons fossem CENSURADOS da imprensa ocidental.
Ora eu posso estar errada, mas a mim quer-me parecer que estes senhores estão a tentar interferir com um dos pilares do mundo ocidental, ou seja, a liberdade de expressão.
Ainda que esta seja fictícia (porque se fosse verdadeira não se poderiam prender pessoas devido a danos morais porque alguém disse um par de coisas que lhe vão na alma), é ainda algo que todos nós temos como certo e como um direito, e vêm estas pessoas sabe lá Alá de onde dizer que nós não podemos fazer cartoons de Maomé. E o melhor é que o dizem de uma forma muito educada: de cocktail molotov numa mão, pedra na outra, atacando as embaixadas e queimando bandeiras (ora digam lá que estas pessoas não são um primor de delicadeza).
É claro que é preciso ver que este é um assunto de extrema imporância, que irá afectar o dia a dia de milhares de muçulmanos, tirar-lhes o alimento às pobres criancinhas e quiçá fazer com que os filhos de ainda tenra idade que vão encher as fileiras de uma qualquer organização terrorista, onde irão aprender a fazer bombas e a rebentarem-se uns aos outros, deixem de ter as merecidas cento e poucas virgens aos pés deles quando finalmente ascenderem a um plano superior depois de explodirem um qualquer metropolitano em hora de ponta ou edifício governamental e matarem umas tantas mil pessoas (todos pecadores indignos de viver mais um segundo que seja, claro!).
Porque eles são pessoas muito pacíficas, que nunca fizeram mal a ninguém, quanto mais colocar uma bomba seja lá onde for.

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